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Mostrando postagens de agosto, 2015

O poço

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Úmido e frio, A luz que bate na retina. Lá em cima, a vida segue. Aqui embaixo, traído e deixado para trás, jogado e empurrado, machucado e quebrado. O poço que me abraçou, Os meus gritos que ninguém escuta. A paz aqui, O silêncio eterno, O som da minha cabeça, Meus pensamentos que brincam, Minha mente ecoa o nada. O poço, lugar tão frio e meu.

A doença

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Estou infectado, Pelos meus sonhos e erros, Acorrentado dentro de mim, Morto dentro de mim. Aos poucos vou me esvaindo, Minhas energias, foram sugadas. Eu tenho uma doença, E essa doença não me permite sonhar, Não me permite seguir. Morro a cada segundo, Vivo a cada momento. Eu tenho uma doença, Eu não confio em mim. Minha pobre alma a aguentar os grilhões da vida, Aguentar a dor de ser esquecido. Eu tenho uma doença, E essa doença mexe com o meu eu. Eu sou subjugado e imerso nas chuvas de março, Meu corpo fica i móvel e destruído Minha alma, Derretida pelo sol. Eu tenho uma doença, E toda a sanidade que eu já tive um dia se foi. A superioridade e a inferioridade foram destroçadas. A doença é que me mantém, A doença é a vida que nos tornar iguais perante ao hálito frio da morte e a sete  palmos da terra.

O silêncio da Alma

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A paz que reina no profundo silêncio, na amargura das cicatrizes. O nada que move a alma, O som das melodias que invadem meus ouvidos, A bater dos ventos que corta meus sentidos. O sol se foi, A chuva que nunca chegou, O calor que nunca esquentou. Pairando as beiras das sombras, o reflexo na água distorcido me chama, A noite em sua calada me guia. O silêncio e o som do universo, O som do fim e do início, O primeiro choro e o último suspiro. Começar de novo, Permanecer de novo, Lutar de novo. O silêncio que se move dentro de mim, O vento que guia meus passos, A velocidade da fúria. Tudo se inicia no silêncio, E tudo termina no silêncio.

A fase sombra

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Tudo o que eu tinha, ficou para trás. Tudo o que eu era, Tudo o que eu sentia. A fase da destruição, das sombras e do medo. A fase que me tomou tudo, A fase que destruiu a minha essência. Uma fase onde parecia que o sol nascia todos os dias, Onde a noite parecia mais brilhosa, A fase fa felicidade e futilidade. Agora eu me vejo, Meu olhar no espelho retorcido, A sombra que toma conta de mim. A sombra tão gentil e fria, com seus lábios tão cruéis. Eu aprendi da pior forma, O passado bateu em minha porta, O passado me assombrou. Será que o passado era a sombra? Será que antes era a fase onde tudo parecia certo? Eu só sinto, Eu só sinto que não me pertenço, Sinto que um pedaço de mim ficou lá, Um pedaço sujo e cruel. Agora as sombras me abraçam, Me colocam seguro, Me tornam o que eu sempre fui. E eu retribuo, Eu a beijo e a mereço. Ela é minha salvação, Ela me criou, Ela foi a única que estava lá. Eu me crio com ela, Eu me transformo com ela...

O jardim de flores

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Me vejo em um jardim de flores, E as flores têm um cheiro de dor. As flores possuem cheiro de morte, As flores possuem todos os meus sonhos... E isso parece um pesadelo, Um sonho vivido. Lá, eu vejo meus medos se destruírem, Lá, eu vejo meus sonhos serem despedaçados. Como um cadáver eu me movimento, No frio eterno dos meus ossos. Vivo? Morto? Um espectro a vagar no jardim branco. Um espírito que nunca encontrou a paz, Um ser sem definição. E eu vejo flores... Vejo as flores se reerguerem, Vejo flores de todas as cores. É inverno, E eu vejo flores brotarem. Vejo o sol, tão distante dos meus olhos. O sol já não me esquenta, O frio e a neblina tampam minha visão, A única coisa que eu sinto é o frio que invade minha alma. [E o tormento dos inocentes Eu estou no jardim, No jardim suspenso pela dor e pela frieza. E as flores nascem, as flores se esvaem como são criadas. As flores apodrecem e voltam para a terra. [ E assim como eu, na mais eterna paz.]

Kali

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Deusa perfeita e destruidora, com os teus braços, desamarra minhas correntes. Com a tua força, destrua meus inimigos. Que a inveja e a dor já não me afetem mais, Que o sangue da falsidade escorra pelo solo sagrado. Kali, Grande deusa da transformação, que com os teus olhos e sua língua, espante todo o mal. Kali,grande mãe. Una meu espírito e meu corpo, Guia meu corpo para a ascensão, Move meu coração. Kali,deusa pura da destruição. Que a morte seja apenas a primeira etapa do espírito. Que as luzes dos deuses me ilumine, Que a escuridão e sombram fiquem no passado. Quebre minhas correntes, Quebre meu coração. Faça minha respiração parar. Kali, Aquela que traz o colar de cabeças, Aquela que dissolve todos e tudo. Kali, a criadora e destruidora. Kali, Me abrace e me leve para o seu colo, Que o meu respirar seja o meu despertar.  Grande Kali, A que une, a que destrói.