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Mostrando postagens de setembro, 2015

Rostos Familiares

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O sorriso retorcido, As falsas aparências, As sombras que rondam a vida. A vida que passa, A morte que se instalou em minha alma, A dor latente que não para de doer. As máscaras que surgem dos olhares, Olhares acusadores e inóspitos, secos e sem paz. A relação de não verdade, As mentiras que surgem a todo instante, A paciência que brota do ninho. Os rostos que eu vejo, cheios de angústias e medos, cheios de julgamentos e não certezas. Rostos familiares que nascem no início do dia e se esvaem ao fechar dos olhos. O medo de pertencer a este mundo, O medo de tentar entender esse mundo, O medo dos rostos familiares.

Dê-me a corda

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Meu sonho lívido, Minha paz ausente, Meu caos que cresce. Dê-me a dor, Dê-me o furor para continuar a respirar, E assim, me conquistar. Tudo cresce, E meu corpo já não aguenta mais, Minha mente estilhaçada em pedaços, Fragmentos do infinito. Uma vida sem sentido, Uma existência sem nexo, Sem um ente metastático, Um alguém olhando para nós. O desespero que nasce do mais puro coração, O perdão que nunca foi dado, O mundo que é louco. Meus bens, meus pensamentos, minhas palavras, Tudo se vai conforme o tempo, A poeira da existência que erradia a cada dia. O partir, Ter a chance de se despedir, O amanhã que nunca chegou. Dê-me a corda, Dê-me a guilhotina, Dê-me o gume da faca. Dê-me uma existência com sentido, E o ato de continuar, E o ato de me redescobrir. Dê-me a corda, Dê-me meus sonhos.

A floresta

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A floresta assombrada, cheia de dúvida, o medo da insegurança. O leito que recebe meu corpo, A chuva que me reconforta, A neve que me esfria. O sol que me guia, A carreira de ossos que se segue durante a minha vida, avançando eu continuo. Eu vejo as árvores, Eu vejo meu túmulo, Eu vejo meu destino. E agora eu me vejo, acorrentado aos meus grilhões, passado para trás. E agora, eu aqui. A passos largos eu continuo, A passos sombrios eu sigo. Rondo o infinito, Parado como uma esfinge, Morto? Vivo? ...

A inocência que se perdeu na praia.

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Descanse em paz, Aylan Kurdi. Sonhos quebrados, O início de um ciclo, O fim de uma vida. Abandonado à deriva, A inocência que a maré leva, O sangue que a areia drena. Deixado para trás, O corpo imóvel, A alma distante. O sacrifício, A fuga, Deixado para o mar. Agora, a salvo. Longe de tudo, Sem medo, só minha paz e inocência, Sem corpo, sem o que me prende. Agora, uma estrela no céu e no infinito.

Meu Deus: a natureza.

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A verdadeira liberdade, O vento que bate no seu rosto, As respostas que surgem como mágica. Natureza sábia e única, dê-me tua força. Crie raízes no meu coração, Que meu corpo seja como as rochas. União perfeita entre corpo e espírito, O chamado que ouço em seu sussurro, A paz que reina dentro de mim. Criadora e destruidora, Una e poderosa, Caótica e pacífica. Dê-me forças, Dê-me a leveza das águas, Dê-me o calor do fogo e a frieza da neve. Natureza bela e única, cheia de paz harmonia, cheia de tudo. Que os ventos me tragam as respostas que eu preciso ouvir, Que a chuva me traga conforto, Que o sol aqueça meu coração. Natureza e natureza, Uma ordem que tudo move, uma paz que tudo me torna.