Dê-me a corda

Meu sonho lívido,
Minha paz ausente,
Meu caos que cresce.
Dê-me a dor,
Dê-me o furor para continuar a respirar,
E assim, me conquistar.
Tudo cresce,
E meu corpo já não aguenta mais,
Minha mente estilhaçada em pedaços,
Fragmentos do infinito.
Uma vida sem sentido,
Uma existência sem nexo,
Sem um ente metastático,
Um alguém olhando para nós.
O desespero que nasce do mais puro coração,
O perdão que nunca foi dado,
O mundo que é louco.
Meus bens, meus pensamentos, minhas palavras,
Tudo se vai conforme o tempo,
A poeira da existência que erradia a cada dia.
O partir,
Ter a chance de se despedir,
O amanhã que nunca chegou.
Dê-me a corda,
Dê-me a guilhotina,
Dê-me o gume da faca.
Dê-me uma existência com sentido,
E o ato de continuar,
E o ato de me redescobrir.
Dê-me a corda,
Dê-me meus sonhos.



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