Ódio ao Coração

Já tem um tempo que eu não posto nada aqui.
Mas ontem antes de dormir, passei por essa experiência.
E não pude de deixar de escrever.
Engraçado que esse poema me fez pensar no poema do:

Edgar Alan Poe, O coração delator.
E senti um pouco na pele esse poema ontem ao dormir.
Bom, vou tentar manter isso daqui funcionando.
É isso e até mais.


Quando deito em minha cama e fecho os olhos
Ao estar deitado no travesseiro, escuto o barulho do meu coração.
Tun tun tun, barulhos seguidos, cheio de esperança, em um tom continuo.
Acalmo minha mente e no silêncio escuto o seu barulho.
Só aquela sinfonia de um só tom no qual me faz minha mente delirar nos mais diversos pensamentos.
Mas tem um momento... um momento, onde todos esses pensamentos viram ódio.
e esse ódio crescendo subitamente, invade o meu coração e o silêncio parece não ser mais uma calmaria.
O bater do coração me irrita. Me faz querer ficar acordado, me faz querer arranca-lo fora de mim e pisar em cima.
O bater do coração me dilacera, e o barulho me perturba, me trás loucura... só o tun tun tun, naquele silêncio inóspito me faz querer sair correndo para nunca mais ouví-lo.
O bater do coração me deixa maluco, e em um súbito de risos, começo a rir de minha própria desgraça.
Um coração batendo, um coração, um barulho, um som.
Isso é o suficiente para despertar em mim e lutar contra o silêncio, me faz querer acordar todo mundo e ouvir todas as lamentações das pessoas, só para não ouvir o barulho do meu maldito coração.
Coração que bate, e não adianta eu mandar ele parar, não adianta eu querer.
Ele continua a bater, e esse bater me põe em um transe onde o que eu só quero é acabar com esse maldito barulho.
Tun, Tun, Tun que bate e me destrói, chega desse silêncio, chega desse barulho perturbador.
Barulho natural que me quebra em mil pedaços.
O Silêncio é uma tortura constante, o não viver, a paz... ah! eu não quero a paz, eu quero o silêncio, eu quero o silêncio eterno, o não ouvir do meu coração, a paz total.
A dor é menos torturante do que esse barulho maldito.
Barulho que segue... segue e segue... e nunca tem fim.






"— Miseráveis! — berrei — Não disfarcem mais! Admito o que fiz! levantem as pranchas! — aqui, aqui! — são as batidas do horrendo coração!" - O Coração Delator - Edgar Alan Poe

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