Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2016

Relato de um suicída parte II: O breu

Imagem
O chão escuro me engoliu, pude ver minha alma saindo de meu corpo, senti o calafrio antes de partir. Tudo aconteceu em segundos eu vi tudo ruir eu vi tudo ficar escuro. O lindo e eterno breu me atingiu.... Cercou meus olhos clareou meu espírito levou meu corpo para o vórtice. Aqui acabou tudo o que eu acreditava, todos meus sonhos ruíram, toda minha crença foi abalada, toda minha vida se extinguiu. O que vinha depois? O que será que era tinha depois? Minha consciência se perdeu, eu não era mais  eu, eu era algo imóvel. Me tornei um pensamento, voei em direção as galáxias longínquas, esbarrei na luz. Um som, uma luz, tudo volta. Minha consciência se reanima, me vejo descer em um fluxo até meu corpo, eu já não era corpo, era energia. Flui, abracei a terra, me uni a ela, fui perfurando as camadas mais simples, fui chegando ao berço sagrado da terra. O breu tinha consumido meu corpo, minha consciência fora perdida, o que sobrou de mim foram som...

Relato de um suicída parte I: Minha hora final

Imagem
Abandonado, o sangue esvai pelo meio-fio, a paz toma conta do meu corpo. O silêncio da noite, o vale frio da minha vida o rio da eterna mudança. Solidão que arrebata meu coração, a cegueira dentro de mim,  a voz que ecoa dentro dos meus pensamentos. Já chegou minha hora final, eu me rendo, deixo o vento soprar e uivar, deixo meu corpo sair. Nas trevas eu me lembro da luz, lembro do caminho a seguir, do inverno que nunca acabou. Eu sinto o mundo ir, sinto minhas forças saírem de mim, sinto que é a minha hora. Minha hora final, minhas lágrimas que nunca saíram dos meus olhos, do mundo quente e confortável, do colo de minha mãe, do aperto de mão do meu pai, do sorriso das minhas irmãs, do suave beijo do meu amor. Eu me rendo lentamente, vou até onde meu corpo não pode ir mais, vou até o limite do meu viver. Minha hora final, minha hora inicial, perdido, encontrado. Negado, partido, sem esperança, no breu eterno do universo. ... [Continua...] ...

O odiado

Imagem
Abandonado na lama, fraco e inútil. Toda minha vida resumida nesse momento, toda minha glória se foi. Eles me odeiam, me odeiam pelas minhas palavras, pelas minha ações. Tudo virou ruína, o nulo chegou o céu me expurgou o inferno me abandonou. Só me resta o mundo só me resta ser odiado só me resta odiar cada centímetro do mundo. A salvação está morta a penitência de se estar acordado o sonho que se torna pesadelo. A sede de vingança que nunca se esgota, a pele que descama nas labaredas sulfurosas. Atormentado, uma chuva que não refresca, a luz banida no meu olhar. Eu vou indo, me tornando o odiado, me tornando oco, banindo meu próprio corpo do mundo. Assim, o fim chega... Assim, o mundo morre. ...

Campos da desolação

Imagem
A desolação que destruiu a vida, os sonhos perdidos a imaginação que foi despedaçada. Em um terreno ígneo eu chego, vejo a escala cinza do céu, o vento cortante frio que corrói meus ossos. Minha respiração se esvai as lágrimas caem como chuvas de pedras. Na terra abrasada meus olhos ardem ao encontrar meu túmulo. a ardência faz meus olhos umedecerem. Eu me vejo ali, em um campo cheio de espíritos desolados, o canto da banshee inunda meu espírito e arrepia meu corpo. O vento que corta minha pele, pequenas fuligens que caem do céu. Os choros das viúvas ecoam no ar, as crianças que foram retiradas do mundo esperneiam como pequenos diabretes longe de seu mestre. Eu vim parar aqui, nos campos da desolação, onde a vontade de sair é eterna e o espírito se debate para fugir. Eu estou perdido, e meu ar se vai, meu corpo se cansa... Eu vou ficar aqui, para sempre nos campos da desolação, onde meu lar se foi, onde tudo o que eu conhecia havia sumido. .... ...

Expulso pelo mar

Imagem
Vida, o cheiro da terra firme o gosto salgado em minha boca. O sol que surge nos meus olhos, a escuridão que se foi a água fria que congelou meu corpo. O mar me expulsou, me deu uma segunda chance. As profundezas me expulsaram, como um vômito que é expurgado. O coração bate, meus pulmões respiram, minha consciência retorna. O mar me teve e me expulsou. agora, o vento me leva a ilhas tranquilas, o vento me leva e me guia, guia até o início, guia até o entardecer, guia até meu lar.  (Continua...)

Engolido pelo mar

Imagem
Imerso até a alma, as serias cantam as ondas me levam. Meu corpo se perde no entardecer, afogado e abandonado a deriva. A escuridão do mar me engole e distorce minha imagem, a plenitude do silêncio preenche meu ser. Em uma tempestade eu fui destruído, engolido, tomado, em um vento cortante meu corpo se desconfigurou. O sal, o sol, a noite e o fim. Engolido pelo mar, no eterno afundar.  ( Continua...)