Relato de um suicída parte II: O breu

O chão escuro me engoliu,
pude ver minha alma saindo de meu corpo,
senti o calafrio antes de partir.

Tudo aconteceu em segundos
eu vi tudo ruir
eu vi tudo ficar escuro.

O lindo e eterno breu me atingiu....

Cercou meus olhos
clareou meu espírito
levou meu corpo para o vórtice.

Aqui acabou tudo o que eu acreditava,
todos meus sonhos ruíram, toda minha crença foi abalada, toda minha vida se extinguiu.

O que vinha depois?
O que será que era tinha depois?

Minha consciência se perdeu,
eu não era mais  eu,
eu era algo imóvel.

Me tornei um pensamento,
voei em direção as galáxias longínquas,
esbarrei na luz.

Um som,
uma luz,
tudo volta.

Minha consciência se reanima,
me vejo descer em um fluxo até meu corpo,
eu já não era corpo,
era energia.

Flui,
abracei a terra,
me uni a ela, fui perfurando as camadas mais simples,
fui chegando ao berço sagrado da terra.

O breu tinha consumido meu corpo,

minha consciência fora perdida,
o que sobrou de mim foram somente minhas palavras que ecoaram no coração de quem um dia já me conheceu.
o que sobrou de mim: foram as lágrimas, dores e anseios de viver.
o que sobrou de mim :fora o que eu sempre quis, meus sonhos, meus feitos e minha luz própria.

Agora tudo estava consumido pelo vórtice, tudo consumido pelo nada e pelo breu eterno.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A presença divina

Aos olhos de Buda

O jardim de flores