Relato de um suicída parte I: Minha hora final

Abandonado,
o sangue esvai pelo meio-fio,

a paz toma conta do meu corpo.

O silêncio da noite,
o vale frio da minha vida
o rio da eterna mudança.

Solidão que arrebata meu coração,

a cegueira dentro de mim, 
a voz que ecoa dentro dos meus pensamentos.

Já chegou minha hora final,

eu me rendo,
deixo o vento soprar e uivar,
deixo meu corpo sair.

Nas trevas eu me lembro da luz,
lembro do caminho a seguir,
do inverno que nunca acabou.

Eu sinto o mundo ir,
sinto minhas forças saírem de mim,
sinto que é a minha hora.

Minha hora final,

minhas lágrimas que nunca saíram dos meus olhos,
do mundo quente e confortável,
do colo de minha mãe,
do aperto de mão do meu pai,

do sorriso das minhas irmãs,
do suave beijo do meu amor.

Eu me rendo lentamente,

vou até onde meu corpo não pode ir mais,
vou até o limite do meu viver.

Minha hora final,

minha hora inicial,
perdido,
encontrado.

Negado,

partido,
sem esperança,
no breu eterno do universo.


...


[Continua...]






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