Relato de um suicída parte III: A volta
Volto par ao meu lar,
onde tudo se criou.
A consciência retorna,
o breu se dissolve.
O retorno ao que eu já havia sido
a vontade se criar.
Na penumbra da alma eu me encontro enjaulado.
Como um animal preso eu tento quebrar o que tenho,
na ausência da paz meus sonhos retornam
no furor do caos as coisas ganham sentido novamente.
Eu havia sumido
meu corpo já não era nadam
minha consciência havia desaparecido.
A energia criadora me desafia
a calmaria de continuar e continuar,
a morte que nunca foi um fim.
Há uma eternidade para se viver,
há uma criação para se desenvolver.
Eu retorno em uma prisma branco,
onde o que me move é o vento.
As árvores me abraçam,
o sol me aquece, a luz me cega.
Eu retorno para o seio da terra,
para onde minha dor e tragédia me desafiam,
onde a vida pulsa e necessita de sofrimento.
Viver é sofrer,
ausência de dor é morrer,
o suicídio despertou o que antes não podia, que era tocar e acreditar que a vida é um jogo e que tudo o que vivemos têm ou teve propósito e que você sempre perde no final.
A vida era só uma encenação,
onde nós poderíamos ser retirados a qualquer momento,
e poderíamos voltar ao seio do universo,
no breu eterno,
e naquilo que um dia fomos.

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