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Mostrando postagens de agosto, 2016

Penumbra

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O escuro canto da alma o respirar pulsante o odor do ódio. O sangue transborda pelas suas mãos o coração que pula as pernas que estremecem. O vulto negro que segue seus passos a visão que se dissipa a luz longínqua. Você corre, tenta se esconder mas ela sempre te acha. O medo entala suas palavras corrói suas entranhas pulsa nas veias. A decepção do mundo que quebra a penumbra que cresce na sua retina, toma conta e possui. O frio cortante a lâmina que chora sangue. Perdido na penumbra encontrado na dor deixado para trás. No caminho das lamentações no caminho das lágrimas no coração congelado. A penumbra que se instala na noite fria, na hora final, na morte eminente. A desolação atraiçoa, quebra, brinca e resiste. O vento frio, o toque sombrio a penumbra cresce, ganha força, ganha vida. ...

A suave rendição

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Eu desisto do que vem desisto do que virá, deixo a terra sugar meu espírito deixo o tempo aniquilar meu corpo. Eu sutilmente me deixo cair como em um deixar eterno na ponte dos desejos na morte eminente. A tristeza e angústia se foram só sobraram a escuridão e os batimentos do meu coração. Eu me entrego ao que virá deixo a vida fazer seu papel deixo a terra me guiar. Agora o abraço da terra é tão fraterno, meus ossos queimam meu coração palpita aceleradamente minha dor se vai. Eu vou, me entrego ao desconhecido um abraço na morte a indiferença de viver a razão de morrer. Agora a poeira toma conta de mim e minha vida se vai diante dos meus olhos o silêncio ecoa dentro de mim. Eu me rendo sutilmente, me jogo me torno um ser só, algo sem corpo, algo que vaga no breu. ...

A porta de entrada para o fim

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O eminente sorriso cínico O sol brilha em vermelho O nunca que não chega. O corpo em decadência As feridas se abrem As marcas queimam. Perseguido, com medo com frio. No vale das sombras se caminha, os pensamentos se embaraçam, a mente retorce. Os pés em cacos de vidro, afundado em ruína, se movimento lentamente na estrada que te suga. A porta de entrada para fim, a morta suave e doce, faminta e desesperada. Abusado, arbitrário, insólito. O chão como no deserto, as carcaças que vão se esfacelando com o vento cortante. As trombetas sombrias que tocam as pernas que tremem, a consciência falha. A porta se abre, o mundo se fecha. ...