05:39 em paranóia

O chão treme
a luz reflete meus olhos
as sombras se movem.

O relógio gira devagar
o ponteiro dança
a engrenagem arranha.

Minhas mãos dormentes
meu pulso fraco
meu coração palpitante.

O tempo não passa
o pensamento morre
o mundo eclode.

05:40, o mundo se fecha
o raiar do sol negro aparece
o vulto sombrio sorri para mim.

Os olhos ardem
as pálpebras queimam
o cantar do galo.

05:42, o silêncio surge
a respiração quase para
o abrir da maçaneta.

05:43, o medo deixar de existir
o medo deixar de ser
o medo de perder.

05:44, as palavras fogem
os pássaros cantam
o estrangeiro dentro de mim.

05:45, meus pensamentos se retorcem
meus músculos se emaranham
minha alma pulsa.

05:46, a luz do sol adentra o quarto
o fulgor se vai
os olhos fecham, mais um dia vivo.


...





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