Marchando contra a maré

Eu sigo,
como um soldado,
como alguém sem função.

Eu enfrento o mundo abrupto
eu enfrento meus medos,
enfrento minha própria maré.

O meu oceano,

meu mar,
a minha paz.

Eu marcho contra mim mesmo,

e de pé fincados eu me saboto,
me afogo em mim,
morro dentro de mim.

A vida já não é o problema,
o mar já me engoliu,
a tristeza cresceu dentro de cada poro meu.

Eu marcho,

eu ando e desando.
Envergonhado com a minha própria vida,

destruído como a minha própria vida.

Eu ando, prossigo e busco o que me falta,

busco o que nunca tive,
e as cinzas caem do céu,
e a maré sobe.

Eu continuo a marchar,

estou condenado a marchar.

...




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A presença divina

Aos olhos de Buda

O jardim de flores