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Mostrando postagens de 2016

Véu de maya

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A ilusão de uma vida O fogo que nasce do chão A chuva que cai do céu sem parar. Uma vida cheia de mentiras Contadas por salvadores Contada por ilusões. O véu que protege da verdade A ignorância que trepida em seu coração As coisas banais que se instalam. O véu que sempre me protegeu E agora, tudo se perdeu. O despertar para o verdade A fúria que se dissipa, As veias que queimam As forças que se erguem. No véu de maia, No mundo da aparência A casca que se corrompe. A luz, prisma sagrado que invade sua alma, O ser tomado, as impressões que se perdem. No véu sempre vivemos, Guiados pela monstruosidade dos nossos desejos mais sombrios, Guiados pelos impulsos. O véu, a ignorância, a aparência que vale a pena, o mundo sombrio que fazemos parte.  E no fim, enxergar por trás do véu, ver o mundo brilhar, ver nossas almas se desacorrentarem, verem enfim, nossos corações baterem. ...  

O ciclo da trilogia do pensamento chega ao fim.

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Eis a nova capa do meu livro intitulado: Ruínas do Pensamento. Esse livro fecha a trilogia do pensamento, trilogia essa que começa com os meus poemas dos 14 anos até agora, no auge dos meus 28 anos. Foi uma caminhada árdua, com muitos erros, obstáculos absurdos, mas, com lições valiosas. Meu trabalho de poemas se encerra nesse momento com este livro. Quem sabe um dia eu volte a lançar algum livro sobre poesias pessoais como escrevi esses três livros, foram as 340 páginas, mais de 200 poemas que inclui nesses três livros, foi minha vida que foi colocada ali. Não pararei de escrever, já tenho projetos para lançar mais um livro que em breve será lançado, e tudo se resume ao futuro incerto. Nesses quase três anos de Blog e mais esses anos recolhendo material, percebendo o mundo com o olhar dos outros, analisando, meditando, enxergando com os olhos da alma, eu pude realizar meu sonho. Sinto que deixei o meu melhor nessas obras e sinto que deixarei ainda mais conforme outros livros for...

Perdido no silêncio

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O frio toma conta o silêncio sucumbe e cresce dentro da minha alma a ríspida união do sol e chuva. De cabeça vazia eu permaneço perco meu tempo as memórias quebradiças enfrento o que se perdeu. O silêncio da boca a perda dos sentidos a visão que se embaça. Um mundo barulhento um mundo de significado um mundo que te cria. O silêncio que incomoda o não saber se realizar sozinho a dependência das palavras, a natureza que se consome. O mundo corrompido destruído e preso dentro da alma morto e exposto. Eu me perco no silêncio eu me mato sem sentido eu encontro sentido no que não existe. O silêncio que incomoda grita, xinga, uiva e se consome. ...

Pathos

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Atinge o curso da alma espatifa o espírito a dor lateja. A destruição interna o interesse degenerado a punição metafísica. Estar afetado estar em decomposição estar sendo atingido, ser atingido. A sociedade atinge a família atinge os mitos se criam. Pulsação inconstante o coração corrompido a alma cai no abismo. Atingido em punição divina a dança dos deuses o jogo da vida. A vida nos atinge bate com uma força descomunal o muro quebra na nossa face, arrebenta nossos ossos. A vida é atingir ser atingido ser algo, desejar ser algo. ...

O massacre

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O sangue esvai das veias as gotas de suor caem da testa morrem no chão frio. A beleza de um massacre a feiura da podridão a melodia sombria morta no fundo da terra. O cheiro da carnificina os ossos quebrados membros decepados. A faca crava fundo no fundo do seu peito faz seu coração se retorcer suas entranhas gritam. bem- vindo ao massacre a hora final a minha última respiração. Os pensamentos fogem, dançam e brincam entre si a penumbra cresce na minha íris remove e cria a besta. O cheiro do açougue, o cheiro do massacre, o mundo sem significado purificado em cada gota de sangue. O cheiro da morte o fim que ultrapassa a dor a humanidade que é perdida O fim de tudo. ...

Guerra Santa

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Luta eterna caos instaurado discursos de ódio. A única salvação o som do sangue a explosão dos corpos. A marcha decrépita da humanidade caminha com falsos ídolos se agarra a loucura cospem suas verdades. Gerações arruinadas a bondade se perde ao meio da poeira Deus é objeto, é o objetivo. Alah, Cristo, Maomé destronados por nós mesmos. Pecados mortais, incapacitados de bondade tomados por ódio. O sangue jorrando das valas de Jerusalém, jorra da terra do pecado jorra das areias sagradas. Guerra santa que se mantém ideias,alucinações,alienações nossas verdades pessoais. Agora, enterramos nossos filhos damos ouvidos a peste alucinados pelo céu. E agora, marchamos sobre os corpos daqueles que protegemos marchamos para a glória de Deus filhos do glorioso a glória da nossa própria loucura. E continuamos a marchar, a desgraçar, esfacelar a esperança, quebrar a paz em milhões de pedaços. Humanidade que se promove, se recria em discursos pútridos, de hipocrisia que se suplanta em nossos c...

05:39 em paranóia

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O chão treme a luz reflete meus olhos as sombras se movem. O relógio gira devagar o ponteiro dança a engrenagem arranha. Minhas mãos dormentes meu pulso fraco meu coração palpitante. O tempo não passa o pensamento morre o mundo eclode. 05:40, o mundo se fecha o raiar do sol negro aparece o vulto sombrio sorri para mim. Os olhos ardem as pálpebras queimam o cantar do galo. 05:42, o silêncio surge a respiração quase para o abrir da maçaneta. 05:43, o medo deixar de existir o medo deixar de ser o medo de perder. 05:44, as palavras fogem os pássaros cantam o estrangeiro dentro de mim. 05:45, meus pensamentos se retorcem meus músculos se emaranham minha alma pulsa. 05:46, a luz do sol adentra o quarto o fulgor se vai os olhos fecham, mais um dia vivo. ...

O toque da musa

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Blindado pelo amor indo em direção aos meus medos atormentado por viver. naquela noite eu soube conhecia teu rosto, sabia amar, sabia que aquilo nunca iria ter fim e nunca terminaria. Hoje, eu entendo o seu olhar imagino ao te tocar no fundo do olhar. emocionado, meus olhos se enchem de lágrimas. lutar para amar, para reconquistar, para te abraçar. e tudo se encaixa, como um passe de mágica, teu olhar, meu olhar, meu tudo, meu mundo, o sopro e o toque da musa, para sempre me atormentar, para me recriar. ...

Penumbra

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O escuro canto da alma o respirar pulsante o odor do ódio. O sangue transborda pelas suas mãos o coração que pula as pernas que estremecem. O vulto negro que segue seus passos a visão que se dissipa a luz longínqua. Você corre, tenta se esconder mas ela sempre te acha. O medo entala suas palavras corrói suas entranhas pulsa nas veias. A decepção do mundo que quebra a penumbra que cresce na sua retina, toma conta e possui. O frio cortante a lâmina que chora sangue. Perdido na penumbra encontrado na dor deixado para trás. No caminho das lamentações no caminho das lágrimas no coração congelado. A penumbra que se instala na noite fria, na hora final, na morte eminente. A desolação atraiçoa, quebra, brinca e resiste. O vento frio, o toque sombrio a penumbra cresce, ganha força, ganha vida. ...

A suave rendição

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Eu desisto do que vem desisto do que virá, deixo a terra sugar meu espírito deixo o tempo aniquilar meu corpo. Eu sutilmente me deixo cair como em um deixar eterno na ponte dos desejos na morte eminente. A tristeza e angústia se foram só sobraram a escuridão e os batimentos do meu coração. Eu me entrego ao que virá deixo a vida fazer seu papel deixo a terra me guiar. Agora o abraço da terra é tão fraterno, meus ossos queimam meu coração palpita aceleradamente minha dor se vai. Eu vou, me entrego ao desconhecido um abraço na morte a indiferença de viver a razão de morrer. Agora a poeira toma conta de mim e minha vida se vai diante dos meus olhos o silêncio ecoa dentro de mim. Eu me rendo sutilmente, me jogo me torno um ser só, algo sem corpo, algo que vaga no breu. ...

A porta de entrada para o fim

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O eminente sorriso cínico O sol brilha em vermelho O nunca que não chega. O corpo em decadência As feridas se abrem As marcas queimam. Perseguido, com medo com frio. No vale das sombras se caminha, os pensamentos se embaraçam, a mente retorce. Os pés em cacos de vidro, afundado em ruína, se movimento lentamente na estrada que te suga. A porta de entrada para fim, a morta suave e doce, faminta e desesperada. Abusado, arbitrário, insólito. O chão como no deserto, as carcaças que vão se esfacelando com o vento cortante. As trombetas sombrias que tocam as pernas que tremem, a consciência falha. A porta se abre, o mundo se fecha. ...

A crucificação

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Não sou cristão, mas nós, seres humanos temos a capacidade de destruir o que é bom e temos o talento de sacrificar nossos mártires. E o sangue continua se esvaindo pelas feridas. Morto por ser bom guiado por propósitos filho de Deus. O pecado original criado O deus que brinca com suas marionetes O toque final da maça. A serpente, o mal criado pelo próprio Deus. O demônio, criado pelo próprio Deus. O onipotente, onde tudo se cria e se transforma. A marionete, um mártir da salvação, um espírito acima de sua época. A hipocrisia, a maldade e o caos instaurado. A sociedade corrompida, os jogos, as mentiras, a crueldade. Crucificado, Escarnado Risos de medo. O cordeiro abatido o sangue que flui de suas chagas, sua coroa, os espinhos que dilaceram a carne. Crucificado, morto por ser bom traído com um beijo. Abençoados sejamos todos nós, filhos do pecado injusto e vis porcos e imundos. Pútridos sejamos, guiados pela maldade do próprio criador, um joguete, um quebra-cabeça, na dança da eterna l...

A presença divina

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Luz que toca vento que treme meu corpo paz que atinge meu espírito. A presença que cresce ao meu lado o nunca estar sozinho o caminhar eterno. A divina solidão que nunca se esvai a brisa leve da manhã que toca seus cabelos. Deus, A vida, a natureza, a visão de um mundo que te abraça. A sensação de dor que para, o silêncio da sua respiração o canto do pássaro que ecoa longe. O sol que esquenta o frio da manhã o valor de se pertencer. A presença divina que brinca com a minha alma, me torna único e sublime, em paz comigo dentro de mim, dentro desse amanhecer voraz. ...

Paisagem Sombria

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Cria-se o mundo Cheio de dia e noite Cheio de chuva e ventos. O mundo dos sentimentos O mundo da vontade Das angústias e dos medos. Eu percorro o dia e a noite, O mar e o deserto As florestas e os pântanos. A paisagem sombria que se apresenta em meus olhos A desolação dos campos A chuva ácida que perfura minha pele O cheiro de enxofre, A fumaça que sai da camada mais profunda da terra. A criação soturna A dança macabra dos deuses O vale de lágrimas que ecoam gritos desesperados. Eu vejo o sol negro crescer, Vejo a terra abrir, Vejo meu corpo se consumir. Sinto os meus poros se abrirem, Sinto a tristeza me consumir O sangue ferve, a lágrima cai, o coração palpita. A luz do prisma negro entra mim, Meu corpo treme Meus olhos fecham. Finalmente acordo, enfim vivo. ...

O mundo como vontade e representação

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O mundo como vontade, algo ilógico, cresce dentro das coisas representação, a nossa realidade expostas por nossas pupilas. O frio da neve que chega de dezembro, o mundo escuro e frio, cheio de dor e sofrimento. A criação de conceitos que surgem dentro da vida, a luta contra qualquer mal, os caminhos a seguir. Era melhor não ter nascido, era melhor não se realizar, o desejo que nunca cessa. Meu mundo, minha representação, minha história, minha dor. O isolamento, a misantropia, o amor, desejo criado pela natureza, a morte, o último rito. A irrealização de tudo, a agonia de se viver, a compaixão pelos pequenos seres, a compaixão é o que nos salva. O ciclo eterno de querer, cessa na compaixão humana, no absurdo ciclo do sofrimento e querer. ...

Renascendo da dor

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Quando o silêncio atinge os teus ouvidos, Quando tudo se foi Você se perdeu perdeu seu brilho. Quando a sua companhia é angustiante, Quando seus dias de glórias se tornam dias de horrores. Quando você perdeu o farol que você tinha, quando o caminho foi partido em fragmentos, quando sua vergonha e seu corpo foram remendados. Quando escavamos nossa alma encontramos apenas o ódio, inveja e mentira. quando atravessamos nosso medos e podridões, nossos fetiches macabros e nosso pouco amor. Quando tudo falhar, quando tudo ruir e ser destruído, amassado, engasgado,amargurado e sufocado. Quando tudo perder o sentido, quando a morte for doce, quando o ódio guiar. Quando tudo se for, deixe o silêncio falar deixe o amanhecer dizer, deixe a natureza sussurrar, deixe o que você é. Quando você ressuscitar das falhas, quando a fagulha fria atingir teu coração como uma agulha. Quando você não precisar mais de respostas, quando tud...

O horror, a penumbra e o cheiro da morte

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Um fio de luz bate na minha pupila, O cheiro pútrido dos cadáveres em cima e mim é horroroso, A penumbra debaixo dos corpos. A guerra trouxe um fantasma, trouxe desgraçada, miséria e dor. Agora, vivemos em uma pesadelo sem fim, Vivemos no buraco de nossas covas nos escondendo das bombas. A humanidade e suas ideias estúpidas, A conquista e a ganância, A fome que nunca cessa. Só ha corpos mortos em cima de mim, As lágrimas caem dos meus olhos, Os olhos brancos e mortos dos corpos me fitam. O descanso eterno das almas que foram perdidas, O horror de não poder respirar, A claustrofobia de não poder se mexer, a agonia. Eu quero encontrar uma saída, Quero ver o fio de luz. A humanidade se arruinou, Se engasgou com a própria ganância, destruiu a própria espécie. O ar fica rarefeito, sinto meus pulmões precisando de ar, sinto meu coração acelerar. Amontoado de mortos em cima de mim, não há força humana que consiga sair. A saída foi fechada, o anjo da morte an...

Finitude

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Se esvai,  murcha e se recolhe muda de forma, volta ao que era. Os ciclos da natureza crescer, viver e morrer, A percepção que se modifica. A finitude, a fraqueza de se viver a flor que volta a terra depois de mostrar sua beleza, o cheiro suave que o vento leva. A semente que cresce dentro do coração a visão distorcida por fora o corpo que descama e descansa no túmulo de madeira. Estar vivo, morrer é a máxima dádiva da natureza. A pálida cisão do que fomos o que somos o viver, respirar, o abrir os olhos todos os dias. A vida brinca se diverte com a nossa tragédia banaliza nossa dor. Prisioneiros de nossos karmas a roda que nunca para de rodar a finitude, a infinitude, o início. ...

O fim da comunicação

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O ruído ensurdecedor o estrondo que eclode dentro da casca vazia a caminhada sem sentido. A comunicação se perdeu a fala, o escrever, o gritar e dizer. O fim eminente de uma vida o ciclo eterno as palavras que se perderam. Não se comunicam mais gritam, esbravejam, falam por falar. Não se escutam, não se ouvem, a voz interior que foi abafada. Tudo ficou sem sentido, tudo se resumiu ao não se comunicar. O mundo que necessita gritar, as pessoas que necessitam se definir opostos, direita e esquerda, vermelho ou azul. Tudo se foi, Não se escuta, não se ouve, não são mais. O mundo cansou de se ouvir todos não se escutam, preferem não se ouvir. A linha já ficou muda, já ficou surda e ignorante. ...

Nietzsche

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A loucura que tomou conta, a paz que nunca veio o refúgio no niilismo, na misantropia. A vontade como potência O dionisíaco e o apolíneo a verdade e a loucura. A vida conturbada a sífilis adquirida por um desejo Um cavaleiro solitário Amargurado por existir. A abstinência dos desejos o torpor da fuga o isolamento da metafísica. A transvaloração de valores a serpente que morde a própria cauda o super homem, o fugir eterno do retorno. No fim, a loucura da vida o exaurir da alma. A vida que se perdeu na admiração ao falso ídolo, o amor proibido o bater do coração que se foi. ...

O chamado interno

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Abafado pelo som do mundo Sufocado pelas ações erradas O descobrimento da dor. As respostas do mundo O cosmo que nos diz o que precisamos A natureza que cria raízes em nossos corações. Já não ouvimos. Já não paramos para perceber o que viemos fazer Já não temos forças para lutar. O eu interior que grita A paz que seu coração cria A dor que a tanto tempo te guiou. O mundo que perdeu sentido A dor que parou de doer A resistência de se continuar. Tudo se modifica O som do universo que te clama. O som interior Libertar-se da dor e das opiniões. O mundo grita, O mundo te julga O mundo tenta e continua a batalhar para te destruir. O som calmo de dentro de si O silêncio pacífico que cresce em cada célula viva O coração que bate devagar O espírito que se modifica. Ouça e escute você, Guie-se em você E deixe que o resto faça sua parte. O chamado interno que cresce, lateja e guia O chamado que a tanto tempo você ignora. Sinta, escute e viva. ...

Chamado da Natureza

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Eu ouço, sinto o cosmo levando meu espírito, sinto que tudo está conectado. O cheiro das árvores entram em minhas narinas sinto o gosto doce do ar sinto a paz ao redor do meu corpo. A natureza me chama ela sussurra gentilmente o que quer ela procura alguém para escutá-la ela diz o tempo todo o que precisamos ouvir. A percepção e a intuição foram quebradas por brigas internas foram destruídas a partir do momento que você escolhe o caminho errado. E agora a estrada cresce dentro do meu coração o equilíbrio toma minha alma a mente já não mais vaga. Eu escutei o que a natureza disse eu sabia que a ilusão tinha me contaminado sabia que o mundo parecia errado. Eu escuto o que o cosmo diz eu busco o equilíbrio busco meu eu busco minha paz. E a natureza me guia toma conta e me recria. ...

Refugium in nihilismi

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O abraço ao nada fosso sem saída o escuro. Redução a nada a lógica inexistente o mundo sem significado. A morte iminente a névoa escura do coração a sombra negra da alma. Valores rachados, a existência do cansaço o que supostamente virá. A significância morta os valores despedaçados, a morte a espreita. O nada, o fim, o frio. A morte de tudo o breu que corroí a alma. O nada, a vida que se esvaiu a  não existência. ... ...

Relato de um suicída parte III: A volta

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Volto par ao meu lar, onde tudo se criou. A consciência retorna, o breu se dissolve. O retorno ao que eu já havia sido a vontade se criar. Na penumbra da alma eu me encontro enjaulado. Como um animal preso eu tento quebrar o que tenho, na ausência da paz meus sonhos retornam no furor do caos as coisas ganham sentido novamente. Eu havia sumido meu corpo já não era nadam minha consciência havia desaparecido. A energia criadora me desafia a calmaria de continuar e continuar, a morte que nunca foi um fim. Há uma eternidade para se viver, há uma criação para se desenvolver. Eu retorno em uma prisma branco, onde o que me move é o vento. As árvores me abraçam, o sol me aquece, a luz me cega. Eu retorno para o seio da terra, para onde minha dor e tragédia me desafiam, onde a vida pulsa e necessita de sofrimento. Viver é sofrer, ausência de dor é morrer, o suicídio despertou o que antes não podia,...

Relato de um suicída parte II: O breu

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O chão escuro me engoliu, pude ver minha alma saindo de meu corpo, senti o calafrio antes de partir. Tudo aconteceu em segundos eu vi tudo ruir eu vi tudo ficar escuro. O lindo e eterno breu me atingiu.... Cercou meus olhos clareou meu espírito levou meu corpo para o vórtice. Aqui acabou tudo o que eu acreditava, todos meus sonhos ruíram, toda minha crença foi abalada, toda minha vida se extinguiu. O que vinha depois? O que será que era tinha depois? Minha consciência se perdeu, eu não era mais  eu, eu era algo imóvel. Me tornei um pensamento, voei em direção as galáxias longínquas, esbarrei na luz. Um som, uma luz, tudo volta. Minha consciência se reanima, me vejo descer em um fluxo até meu corpo, eu já não era corpo, era energia. Flui, abracei a terra, me uni a ela, fui perfurando as camadas mais simples, fui chegando ao berço sagrado da terra. O breu tinha consumido meu corpo, minha consciência fora perdida, o que sobrou de mim foram som...

Relato de um suicída parte I: Minha hora final

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Abandonado, o sangue esvai pelo meio-fio, a paz toma conta do meu corpo. O silêncio da noite, o vale frio da minha vida o rio da eterna mudança. Solidão que arrebata meu coração, a cegueira dentro de mim,  a voz que ecoa dentro dos meus pensamentos. Já chegou minha hora final, eu me rendo, deixo o vento soprar e uivar, deixo meu corpo sair. Nas trevas eu me lembro da luz, lembro do caminho a seguir, do inverno que nunca acabou. Eu sinto o mundo ir, sinto minhas forças saírem de mim, sinto que é a minha hora. Minha hora final, minhas lágrimas que nunca saíram dos meus olhos, do mundo quente e confortável, do colo de minha mãe, do aperto de mão do meu pai, do sorriso das minhas irmãs, do suave beijo do meu amor. Eu me rendo lentamente, vou até onde meu corpo não pode ir mais, vou até o limite do meu viver. Minha hora final, minha hora inicial, perdido, encontrado. Negado, partido, sem esperança, no breu eterno do universo. ... [Continua...] ...

O odiado

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Abandonado na lama, fraco e inútil. Toda minha vida resumida nesse momento, toda minha glória se foi. Eles me odeiam, me odeiam pelas minhas palavras, pelas minha ações. Tudo virou ruína, o nulo chegou o céu me expurgou o inferno me abandonou. Só me resta o mundo só me resta ser odiado só me resta odiar cada centímetro do mundo. A salvação está morta a penitência de se estar acordado o sonho que se torna pesadelo. A sede de vingança que nunca se esgota, a pele que descama nas labaredas sulfurosas. Atormentado, uma chuva que não refresca, a luz banida no meu olhar. Eu vou indo, me tornando o odiado, me tornando oco, banindo meu próprio corpo do mundo. Assim, o fim chega... Assim, o mundo morre. ...

Campos da desolação

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A desolação que destruiu a vida, os sonhos perdidos a imaginação que foi despedaçada. Em um terreno ígneo eu chego, vejo a escala cinza do céu, o vento cortante frio que corrói meus ossos. Minha respiração se esvai as lágrimas caem como chuvas de pedras. Na terra abrasada meus olhos ardem ao encontrar meu túmulo. a ardência faz meus olhos umedecerem. Eu me vejo ali, em um campo cheio de espíritos desolados, o canto da banshee inunda meu espírito e arrepia meu corpo. O vento que corta minha pele, pequenas fuligens que caem do céu. Os choros das viúvas ecoam no ar, as crianças que foram retiradas do mundo esperneiam como pequenos diabretes longe de seu mestre. Eu vim parar aqui, nos campos da desolação, onde a vontade de sair é eterna e o espírito se debate para fugir. Eu estou perdido, e meu ar se vai, meu corpo se cansa... Eu vou ficar aqui, para sempre nos campos da desolação, onde meu lar se foi, onde tudo o que eu conhecia havia sumido. .... ...